Autor: Equipe DHJor

  • DHJor manifesta apoio a vítimas de Boaventura

    DHJor manifesta apoio a vítimas de Boaventura

    Nesta sexta-feira, 15 de novembro, quatro mulheres foram a julgamento em Coimbra, Portugal, em uma ação cível “para tutela da personalidade, proteção da honra e bom nome”. A ação foi impetrada por Boaventura de Sousa Santos, professor catedrático da Universidade de Coimbra e denunciado pelas mulheres por assédio sexual e moral.

    Atualização: o julgamento foi suspenso na manhã deste sábado (16).

    O DHJor – Jornalismo e Direitos Humanos manifestou publicamente apoio às vítimas de Boaventura na postagem feita por um dos coordenadores do grupo, professor Jorge Ijuim, na página Plataforma Portuguesa para os Direitos das Mulheres. Em nome do DHJor, Ijuim escreveu:

    “O Grupo de Estudos Jornalismo e Direitos Humanos (DHJor), da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) – Brasil – manifesta sua solidariedade às vítimas desta violência. O intento de “ação cível para tutela da personalidade, proteção da honra e bom nome” é uma afronta aos direitos das mulheres e uma tentativa de desqualificação das vítimas – inaceitável”.

    Entenda o caso

    Em abril de 2023, Lieselotte Viaene, Catarina Laranjeiro e Miye Nadia Tom escreveram o capítulo The Walls Spoke When No One Else Would: Autoethnographic notes on sexual-power gatekeeping within avant-garde academia (As paredes falaram quando ninguém mais ousou: Notas autoetnográficas sobre o controle do poder sexual na academia de vanguarda, em tradução livre). O capítulo integra o livro Sexual Misconduct in Academia, organizado por Erin Pritchard e Delyth Edwards (Routledge, 2023) e aborda um padrão estrutural de assédio moral e sexual no CES (Centro de Estudos Sociais) da Universidade de Coimbra.

    O texto não menciona nomes, mas as figuras de “Professor Estrela” e “Aprendiz” citadas na narrativa foram identificadas como Boaventura de Sousa Santos e Bruno Sena Martins, respectivamente. O capítulo de livro – que também foi transformado em artigo acadêmico – relembrou pichações de anos atrás (figura abaixo) nos muros da universidade.

    Pichação anônima contra Boaventura na Universidade de Coimbra / Divulgação

    Pichação anônima contra Boaventura na Universidade de Coimbra / Divulgação

    As autoras classificaram como “assédio sexual” o abuso de poder sobre mulheres, em geral jovens, que dependem da aprovação acadêmica de seus mentores para construir suas carreiras, além do “extrativismo intelectual”, com o encobrimento das instituições.

    Após quase um ano de apuração por uma Comissão Independente de Esclarecimento de Situações de Assédio, o Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra (CES/UC) reconheceu as “más práticas” na universidade.

    Boaventura foi afastado de suas funções em diversas instituições e, como resposta, decidiu processar as vítimas em uma tentativa desesperada de limpar seu nome.

    As mulheres que responderão na Justiça fazem parte do Coletivo Internacional de Mulheres, formado por pesquisadoras e ex-alunas, brasileiras e portuguesas, que sofreram abusos enquanto trabalhavam com o professor e sociólogo.

    Ética requer coerência

    A denúncia contra Boaventura – que ganhou corpo e novas vozes após a publicação – caiu como uma bomba no meio acadêmico. Particularmente, no DHJor, o pensamento do sociólogo contribuiu nos estudos de Direitos Humanos e Jornalismo. Por isso, à época, o grupo recebeu a notícia com uma mistura de indignação, frustração e perplexidade.

    Por uma questão de honestidade intelectual de um grupo que se compromete firmemente com os Direitos Humanos, os estudos de Boaventura são condenados quase a um esquecimento.

    Afinal, ética requer coerência.

  • DHJor participa de livro sobre desafios do jornalismo

    DHJor participa de livro sobre desafios do jornalismo

    A Editora da Universidade Federal de Santa Catarina (Editora da UFSC) lançou nesta quinta-feira (11) o e-book Jornalismo: reflexão e inflexão (download aqui). Organizado pelos professores Rogério Christofoletti e Terezinha Silva, a obra, que integra a coleção Horizontes do Jornalismo, conta com 13 artigos assinados por renomados nomes da pesquisa em Jornalismo no país – e também por alguns autores internacionais. Três deles são assinados por integrantes do grupo DHJor – Jornalismo e Direitos Humanos.

    A obra também foi lançada no VII Media Ethics Conference, que está sendo realizada nesta semana em Coimbra, Portugal. O pesquisador Jorge Kanehide Ijuim, um dos coordenadores do DHJor, participa do evento, que se encerra nesta sexta-feira (12).

    Entre os três artigos está um trabalho produzido coletivamente pelo grupo. O texto Direitos humanos e uma visão pluriversa para decolonizar os fazeres jornalísticos, escrito em formato de ensaio, procura traçar algumas reflexões extraídas das discussões que o DHJor tem feito nos últimos anos. O foco inicial é “problematizar os limites do pensamento hegemônico que tem guiado o fazer jornalístico e, por consequência, a emergência da decolonização”. Depois disso, busca-se “tensionar aspectos da racionalidade moderna que promovem distinções e exclusões” e, por fim, propor uma reflexão interseccional, a partir de materiais premiados ou que receberam menção honrosa no 44° Prêmio Vladmir Herzog.

    “Queríamos procurar algumas boas práticas de jornalismo para demonstrar a viabilidade de uma perspectiva decolonial nas produções”, explica a doutoranda Lynara Ojeda de Souza, uma das autoras.

    Além dela, o texto é assinado por Jorge Kanehide Ijuim, Isabel Colucci Coelho, Hendryo Anderson André, Criselli Maria Montipó, Thais Araujo de Freitas, Patrícia Hadlich Aquino e Karla Gabriela Quint.

    Demais participações

    O doutorando Rafael Venuto assina, junto com a pesquisadora Flávia Guidotti, o texto “Fotojornalismo e arte: intersecções no sensível partilhado”. Já a estudante de estágio de pós-doutorado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) Magali Moser, em parceria com Samuel Pantoja Lima, assina o artigo “Por uma metodologia da reportagem investigativa”.

    Jornalismo: reflexão e inflexão

    Como o jornalismo atravessa a vida humana, é natural esperar que ele se relacione com muitos temas. Em Jornalismo: reflexão e inflexão – sob o pretexto de refletir sobre a histórica prática de informar – reuniu-se alguns desses assuntos. Por isso, ideologia e xenofobia, civilização e arte, profissionalismo e pioneirismo habitam as páginas do livro, mas não só isso. Integram o debate o jornalismo automatizado e o que oculta os nomes, o que vive plataformizado e o que se impõe na investigação, o que se encontra com seu público e o que se guia pelos direitos humanos e se realiza na ética, apesar de tudo.

    Coleção Novos Horizontes

    Voltada a pesquisadores, estudantes, jornalistas e ao público interessado nos desafios contemporâneos da atividade jornalística, a coleção Novos Horizontes, segundo a editora, procura oferecer títulos que visam contribuir crítica e reflexivamente para a renovação de teorias e práticas.

    Serviço

    Título: Jornalismo: reflexão e inflexão
    Autoria: Rogério Christofoletti e Terezinha Silva
    Download: https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/255897

  • Portais brasileiros chamam de “gafe” atitude capacitista de Madonna

    Portais brasileiros chamam de “gafe” atitude capacitista de Madonna

    Durante um show em Los Angeles, na última sexta-feira (08/03), a cantora Madonna agiu de forma capacitista, ao cobrar de um cadeirante na plateia que assistisse ao espetáculo de pé. Sem perceber que se tratava de um homem com deficiência, a rainha do pop apontou para ele e questionou:

    “O que você está fazendo sentado aí?”. Ela caminha até a beira do palco, em direção ao fã, e, ao notar a cadeira de rodas, se desculpa:

    “Ah, ok. Politicamente incorreto. Desculpe. Estou feliz por você estar aqui. Oh, meu Deus”.

    O episódio, reproduzido em vídeo nas redes sociais, foi noticiado por diversos veículos brasileiros, como os portais da Folha de S.Paulo e O Globo. Ambos se referiram à atitude como uma gafe. Nenhum mencionou tratar-se de capacitismo, que é a discriminação em razão da deficiência. Neste caso, discriminação por desconsiderar a diversidade corporal, ou seja, que há diferentes possibilidades legítimas de funcionamento dos corpos. A própria artista definiu a atitude como “politicamente incorreta”. Os dois portais tampouco foram além do fato e buscaram problematizar, por meio de outras fontes, qualquer questão ligada, por exemplo, ao direito das pessoas com deficiência de acessar equipamentos culturais e participar de shows musicais.

    A doutora em Psicologia pela UFSC Karla Garcia Luiz, que também é cadeirante, destaca que, como historicamente o lugar das pessoas com deficiência é o esconderijo, a segregação, a sociedade, incluindo artistas como Madonna, não reconhece que o ambiente de um show também possa –e deva – ser ocupado por elas.

    “Como eu aprendi com a professora Geisa Böck, a sociedade deveria presumir a presença e não a ausência de pessoas com deficiência nos diversos espaços sociais. Se isso ocorresse, situações como essa seriam menos frequentes”, disse ela, que se auto identifica como mulher defiça (termo utilizado por ativistas com deficiência como um marcador da diferença positivado).

    Para a doutoranda Thais Araujo, que pesquisa representações de pessoas com deficiência no jornalismo, algumas medidas poderiam qualificar as matérias jornalísticas sobre o caso.

    “Uma delas seria, diante da dificuldade de encontrar o fã a quem Madonna se dirigiu, entrevistar pessoas com deficiência no Brasil que tenham passado por situações semelhantes. Infelizmente, não são poucas, porque a atitude de Madonna não é isolada. Não se trata de acusar ou tentar cancelar a artista, mas de perceber que, sem vigilância constante, reproduzimos valores hegemônicos desrespeitosos e desumanizadores, persistentes na sociedade. Entre esses valores está o capacitismo, que deve ser combatido”. 

    Thais Araujo, doutoranda em Jornalismo e integrante do DHJor

    Thais sugeriu, ainda, incluir no texto jornalístico o que diz a Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/15) sobre o assunto. A LBI estabelece que as pessoas com deficiências têm direito à cultura e ao lazer em igualdade de oportunidades com as demais pessoas. Define também que locais de espetáculos devem reservar para elas espaços livres e assentos em locais de boa visibilidade e devidamente sinalizados, evitando áreas segregadas de público. “Incluir essas informações ajudaria a dar visibilidade mais adequada à questão e a discutir de modo mais aprofundado os desafios enfrentados por esse grupo social, que soma 18,6 milhões de pessoas, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística”, acrescentou a pesquisadora.

    O portal do Los Angeles Time também se refere à situação como uma “gafe ‘politicamente incorreta’”, citando a fala da cantora, mas menciona já no título as acusações de capacitismo direcionadas a ela nas redes sociais.

    Embora o veículo não traga entrevistas sobre o episódio, incorpora à matéria críticas feitas por pessoas com deficiência nas redes sociais. Uma delas foi publicada no X (antigo Twitter) pela também cantora Lachi, que é cega e ativista pelos direitos das pessoas com deficiência. Ela desafiou Madonna a compensar o fã.

    “Madonna, você sabe o quão difícil é para nós, pessoas com deficiência, ir a esses shows, desde a compra de ingressos até olhares intrometidos? Fique mais do que feliz! Dê a esse cadeirante uma oportunidade de foto ou ALGUMA COISA, porque foi difícil”.

  • DHJor realiza Ciclo de Formação em Direitos Humanos

    DHJor realiza Ciclo de Formação em Direitos Humanos

    Com o objetivo de  sistematizar e compartilhar com estudantes as discussões teóricas e éticas desenvolvidas coletivamente pelos integrantes do DHJor, o grupo promove nos meses de outubro e novembro de 2023 o 1º Ciclo de Formação Jornalismo e Direitos Humanos. Os encontros, que começaram nesta segunda-feira (23), reúnem alunos e alunas de graduação e pós-graduação em Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e são realizados no Centro de Comunicação e Expressão (CCE), em Florianópolis. 

    As aulas são ministradas pela professora de Jornalismo da UFSC e doutora em Educação, Isabel Colucci Coelho; pelo professor do PPGJor e um dos coordenadores do DHJor, Jorge Ijuim; e por integrantes do grupo de estudos e pesquisadoras/es: Lynara Ojeda, Tatiane Queiroz, Thais Araujo, Karla Quint, Letícia Bueno e Patrícia Hadlich. O curso também conta com o apoio dos estudantes de Jornalismo Amanda Kovalczykovski e Warley Alvarenga.

    De acordo com a professora Isabel Colucci, a produção de matérias humanizadas e respeitosas depende de vários fatores, mas o grupo espera que a atividade amplie o repertório de reflexão sobre a relação entre Jornalismo e direitos humanos.

    “O DHJor vem, desde 2020, realizando reuniões, estudos de textos e entrevistas com profissionais da área sobre a temática e há um ano discute criar um curso para socializar essas discussões, que são construídas coletivamente. Por isso, a gente escolheu fazer esta primeira experiência para estabelecer um diálogo principalmente com a graduação e, quem sabe, conceber uma futura disciplina de Jornalismo e Direitos Humanos para o curso de Jornalismo”.

    Isabel Colucci, professora e integrante do DHJor

    Isabel Colucci acrescentou que a proposta é um desdobramento do projeto de pesquisa Educar Jornalistas em Direitos Humanos: desafios e possibilidades, também coordenado por ela. 

    O programa do curso inclui a trajetória histórica de construção dos direitos humanos; a perspectiva decolonial e emancipadora dos DH; temáticas transversais, como estudos de gênero, relações étnico-raciais, infância, pessoas com deficiência; e a cobertura jornalística de questões relacionadas aos direitos humanos. Ao término, os/as participantes receberão certificado de conclusão.

    Lívia Goulart, aluna da primeira fase do Jornalismo/UFSC, participou do encontro inaugural e acredita que o curso vai agregar conhecimento à trajetória que pretende construir na profissão. “A aula foi importante para eu ver que o ciclo será muito rico em conhecimento e me fez refletir que, além das chamadas pautas de direitos humanos, qualquer outra deve considerar noções de direitos humanos no processo de criação”, conta.

    Também da primeira fase, Maitê Silveira destacou as trocas teóricas e o caráter afetuoso do encontro. “As dinâmicas propostas e os diálogos estabelecidos foram muito interessantes. Os alunos e as alunas puderam contribuir muito com as discussões conduzidas pelo grupo e a teoria ficou tangível para todo mundo. Ao final, cada um e cada uma de nós ainda ganhou um abraço do professor Jorge Ijuim. Foi muito fofo”, afirma.

    Confira algumas imagens do primeiro encontro.

  • Entidades assinam carta pela democracia em encerramento do Intercom

    Entidades assinam carta pela democracia em encerramento do Intercom

    Durante o encerramento do 46° Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação (Intercom), que contou com a participação de integrantes do DHJor, na última sexta-feira (8), o recém-empossado presidente da Intercom, Juliano Mendonça Domingues da Silva, informou sobre a instituição do Dia Nacional de Luta pela Democracia, que será celebrado em 31 de outubro.

    A iniciativa das entidades que compõem a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) demarca, anualmente, manifestações por todo o país em alusão a esta luta. Por isso, representantes da Intercom, Compós e Socicom redigiram o documento A Comunicação na Luta pela Democracia Brasileira – Carta de Belo Horizonte (confira a íntegra no final do texto), que foi lido ao final do congresso deste ano.

    Escolha da data

    Em 31 de outubro de 1975, o arcebispo emérito de São Paulo, cardeal Dom Paulo Evaristo Arns, realizou um culto ecumênico em memória a Vladimir Herzog. O jornalista havia sido torturado e assassinado uma semana antes em instalações do DOI-CODI, no quartel-general do II Exército, na cidade de São Paulo. Segundo o Instituto Vladmir Herzog, a manifestação na Praça da Sé, região central da cidade de São Paulo, reuniu 8 mil pessoas e se transformou no maior ato público de repúdio à ditadura militar, desde 1964.

    Carta de Belo Horizonte

    No documento, destaca-se o fato de o Brasil estar vivendo, sobretudo ao longo da última década, “uma radicalização baseada no ódio, que nos distancia uns dos outros de tal modo que já não se consegue nem mesmo ouvir, que dirá dispor-se a compreender”. Para lutar contra esse movimento, as entidades científicas criaram o Dia Nacional de Luta pela Democracia.

    Os signatários sugerem que o texto seja divulgado pela comunidade científica. A versão integral do documento pode ser lida abaixo.

    A Comunicação na Luta pela Democracia BrasileiraCarta de Belo Horizonte

    Esta carta se soma às iniciativas nacionais coordenadas pela SBPC, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, na chamada para a luta pela ciência e pela democracia.

    Todos nós, entidades que subscrevem esta Carta, fazemos parte de uma grande área de conhecimento denominada amplamente como Ciências da Comunicação. Comunicar é, essencialmente, partilhar mensagens. É falar, mas é, sobretudo ouvir. É reconhecer as diferenças, mas apostar naquelas coincidências que nos fortalecem.

    A matéria-prima da Comunicação é a informação, algo sui generis: tanto mais compartilhada, maior e mais forte ela fica, a refletir relações de poder. Por isso, grupos e governos de viés autoritário e ditatoriais a temem e, para controlá-la, institucionalizam, formal e informalmente, diferentes sistemas de vigilância, como no caso da censura. 

    A Comunicação é muito relevante para a Democracia, porque é essência da mesma o respeito às diferenças, a valorização do diálogo e a busca de entendimento com base em pontos de acordo mínimo. O resultado desse processo, do ponto de vista ideal, pressupõe fluxos comunicacionais, pois passa por decisão coletiva e preocupações, cujos interesses partem e se direcionam à sociedade para enfrentar suas fragilidades. Inserem-se nesse contexto a incontornável necessidade da II Conferência Nacional de Comunicação, convocada pelo Governo Federal, e do aprofundamento do debate sobre a regulação democrática das comunicações diante das externalidades evidenciadas.

    O Brasil tem vivido, sobretudo ao longo da última década, um desafio até então impensável: uma radicalização baseada no ódio, que nos distancia uns dos outros de tal modo que já não se consegue nem mesmo ouvir, que dirá dispor-se a compreender. Isso compromete e coloca em risco o tecido social como um todo. Da mesma forma, impacta o social em guetos diversos, bem como gera incomunicação.


    Todos nós, que subscrevemos esta Carta, publicamente conclamamos a Comunicação em nosso meio. Não uma comunicação qualquer, mas uma comunicação social, aquela que permite uma sociedade melhor, conforme aprendemos com diferentes perspectivas teóricas. Seria incongruente se nós mesmos não acreditássemos nas potencialidades do processo comunicativo.

    E é por esse motivo, por entendermos que precisamos nos expressar junto à sociedade brasileira, dizer de nosso sentimento e de nosso compromisso com a Comunicação numa perspectiva democrática e socialmente referenciada, que subscrevemos esta Carta. Calar-nos seria conivência ou omissão. E não podemos ser omissos nem, muito menos, coniventes.

    O Brasil e os brasileiros precisamos da Comunicação efetivamente Social, nos seus mais variados aspectos e âmbitos, para garantir um país independente e soberano, com uma Democracia sólida e perene, sem que se permita nem tolere, nunca mais, retrocesso  na vida democrática.


       
    Belo Horizonte, 07 de setembro de 2023
    Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação
    Compós – Associação Nacional dos Programas de Pós-graduação em Comunicação
    Socicom – Federação Brasileira de Associações Científicas e Acadêmicas de Comunicação

  • Grupo DHJor participa de congresso da Intercom

    Grupo DHJor participa de congresso da Intercom

    Integrantes do grupo de estudos e extensão DHJor – Jornalismo e Direitos Humanos participam do 46° Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação (Intercom). Ao todo, serão cinco apresentações, três coordenações de mesas e o lançamento de dois e-books.

    Neste ano, o congresso da Intercom traz uma novidade. Além do encontro presencial, que ocorre entre os dias 5 e 8 de setembro, em Belo Horizonte, na Puc-Minas, pesquisadores e pesquisadoras agora também podem apresentar trabalhos em uma etapa remota, que neste ano acontece de 29 a 31 de agosto.

    Na etapa remota, o trabalho de autoria dos doutorandos do Programa de Pós-Graduação em Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina (PPGJor/UFSC) Marisvaldo Silva Lima e Lynara Ojeda de Souza, apresentado nesta terça-feira (29), investiga a cobertura jornalística realizada pela agência especializada em notícias Alma Preta Jornalismo sobre o desaparecimento de três meninos de Belford Roxo, em dezembro de 2020. Entre os resultados, o trabalho aponta que a cobertura jornalística da agência “aborda questões raciais e sociais, construindo visibilidade e estimulando reflexões críticas sobre racismo estrutural e desigualdades. Isso ressalta o papel importante do jornalismo na discussão e combate ao racismo”.

    Já a egressa Magali Moser, em conjunto com a pesquisadora Melina de la Barrera Ayres, apresenta um artigo que busca relata as experiências oriundas da disciplina de Jornalismo Comunitário, ofertada do curso de Jornalismo da UFSC. Como principal resultado, o trabalho, intitulado Comunicação Comunitária, práticas cidadãs e formação de jornalistas em Florianópolis, “evidencia que os aprendizados alcançados podem contribuir para a implementação de projetos e iniciativas semelhantes em outros contextos”.

    Etapa presencial

    Na etapa presencial serão três trabalhos (confira a programação abaixo). O pesquisador e coordenador do DHJor, Jorge Kanehide Ijuim, apresenta com as mestrandas Karla Gabriela Quint, Leticia Ferreira Bueno e Patrícia Hadlich Aquino o artigo Jornalismo e Direitos Humanos: Reflexões sobre/para a formação profissional. Ao partir do princípio de que há proximidades entre as percepções de jornalismo, cidadania e direitos humanos, o grupo busca observar se preceitos de dignidade humana, garantidos por documentos como a Declaração Universal dos Direitos Humanos e a Constituição Federal de 1988, se refletem no comportamento de profissionais e da imprensa. “Em nossas pesquisas”, observam, “os resultados parciais suscitam preocupação por conta de coberturas rasas, equivocadas, senão por vezes distorcidas”.

    Criselli Maria Montipó e Hendryo André apresentam com o professor da UFPR e pós-doutorando pelo PPGJor José Carlos Fernandes, o artigo A extensão que se faz história de vida: impressões sobre um programa chamado Ncep. A partir de um questionário aplicado a 35 ex-participantes do projeto de extensão da Universidade Federal do Paraná (UFPR) que acaba de completar 20 anos de existência, o trio observa que, apesar de algumas questões conceituais acerca das definições e escopo da extensão, há marcas relevantes da atividade de extensão na trajetória pessoal e profissional.

    Por fim, Hendryo André apresenta, no texto Mapeamento de estudos sobre desinformação publicados em revistas indexadas pelo Portal de Periódicos da Capes (2005-2022), os resultados com uma análise de 54 artigos publicados sobre o tema desinformação.

    Publicom

    O pesquisador, atualmente bolsista de pós-doutorado (PNPD/Capes) do Programa de Pós-Graduação em Jornalismo da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), participou da organização de dois e-books relacionados ao tema central do congresso do ano passado, realizado em João Pessoa (PB). O primeiro Ciências da Comunicação contra a desinformação (2023, Editora Intercom, download disponível), organizado em conjunto com Nair Prata (Ufop) e Silvio Simão de Matos (Univille), reúne textos oriundos do Ciclo de Estudos Interdisciplinares da Comunicação. “O interessante é que no livro há pontos de vista convergentes, complementares e antagônicos sobre o fenômeno da desinformação observados por importantes pesquisadores e pesquisadoras que se debruçam sobre o tema”, explica Hendryo.

    Já o segundo e-book, Ciências da Comunicação contra a desinformação: olhares de jovens pesquisadores (2023, Editora Intercom, download disponível), organizado em conjunto com Nair Prata (Ufop), Silvio Simão de Matos (Univille) e Flávio Santana (Uespi) reúne as principais pesquisas apresentadas em 2022 por graduandos que participaram dos oito grupos que formam o Intercom Júnior, jornada voltada exclusivamente a estudantes de graduação.

    Programação – etapa remota

    A cobertura jornalística do desaparecimento dos meninos de Belford Roxo: violência, vulnerabilidade e a construção de visibilidade midiática
    Marisvaldo Silva Lima e Lynara Ojeda de Souza
    GP Teorias do Jornalismo | Sessão 01 – 29/08, das 11h às 13h

    Comunicação Comunitária, práticas cidadãs e formação de jornalistas em Florianópolis
    Magali Moser; Melina de la Barrera Ayres
    GP Comunicação para a Cidadania | Sessão 03 – 29/08, das 14h às 18h

    Programação – etapa presencial

    Jornalismo e Direitos Humanos: Reflexões sobre/para a formação profissional
    Jorge Kanehide Ijuim, Karla Gabriela Quint, Leticia Ferreira Bueno e Patrícia Hadlich Aquino
    GP Teorias do Jornalismo  | Sessão 06 – 07/09, das 16h às 17h30

    A extensão que se faz história de vida: impressões sobre um programa chamado Ncep
    Criselli Maria Montipó, José Carlos Fernandes e Hendryo André
    GP Comunicação e Educação  | Sessão 07 – 07/09, das 14h às 15h45

    Mapeamento de estudos sobre desinformação publicados em revistas indexadas pelo Portal de Periódicos da Capes (2005-2022)
    Hendryo André
    GP Teorias do Jornalismo  | Sessão 03 – 07/09, das 8h30 às 10h30

    DHJor

    É um projeto de extensão com o propósito de refletir e compreender as relações entre jornalismo e direitos humanos. Constituído por estudantes, egressos e docentes do Programa de Pós-Graduação em Jornalismo (PPGJor) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), o DHJor trata de fenômenos sociais complexos que são caros ao jornalismo em um contexto de desigualdades acentuadas e em que a cidadania e os direitos humanos estão em disputa.

  • Comunidades quilombolas de Alcântara e a negação do direito à comunicação

    Comunidades quilombolas de Alcântara e a negação do direito à comunicação

    Marisvaldo Silva Lima, Pesquisador do PGGJor/UFSC e integrante do DHJor, publicou nesta semana o artigo “O Estado Brasileiro, as comunidades quilombolas de Alcântara e a negação do direito à comunicação” no Observatório da Comunicação Pública (OBCOMP) da UFRGS. Lima trata da negação do direito à comunicação como uma estratégia de Estado de desumanização e de desmobilização comunitária no caso das comunidades quilombolas de Alcântara.

    O artigo publicado no OBCOMP reflete a partir do julgamento do Estado Brasileiro, que ocorreu nos dias 26 e 27 de abril, na Corte Interamericana de Direitos Humanos, devido às violações contra as comunidades quilombolas de Alcântara na década de 1980 para a implantação do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA). O texto se propõe a pensar como a violação do pleno direito à comunicação propicia outras violências nesse processo que dura mais de 40 anos.

    As comunidades denunciantes alegam que tiveram seus direitos territoriais, sociais e econômicos violados. Porém, considera-se que, juntamente com esses, o direito à comunicação também foi negado às comunidades. Outro aspecto levantado é o uso sistemático da comunicação governamental como ferramenta de violação dos direitos humanos e da cidadania dos moradores, com uso de estratégias de persuasão e manipulação.

    Marisvaldo Silva Lima

    Lima destaca que as decisões relacionadas ao projeto da base de lançamento foram historicamente tomadas sem a participação das comunidades. “A falta de comunicação efetiva entre o Estado, o CLA e as comunidades não só tem dificultado o acesso à informação precisa, mas também tem tentado desarticular a sua capacidade de organização em defesa dos diversos direitos. No caso de Alcântara, a negação do direito à comunicação e o uso da comunicação governamental como forma de manipulação contribuem para a vulnerabilidade e marginalização das comunidades quilombolas, perpetuando sua desumanização”, enfatiza.

    O pesquisador salienta que, embora o Estado Brasileiro tenha se desculpado formalmente e se comprometido a cumprir a sentença da Corte Internacional – que ainda não foi decretada -, uma verdadeira mudança de paradigma só será possível se uma comunicação mais horizontal for estabelecida, levando em consideração as peculiaridades étnicas, os direitos humanos e os interesses das comunidades quilombolas.

    Acesse o texto completo.

  • Subjetividade e direitos humanos: perspectivas para tensionar o jornalismo

    Subjetividade e direitos humanos: perspectivas para tensionar o jornalismo

    A subjetividade é uma categoria chave para pensar o jornalismo. Modos de perceber e sentir a realidade, padrões de comportamento, políticas, ações, posições e corporalidades podem ser entendidas e problematizadas a partir de discursos e narrativas midiáticas que permeiam nosso cotidiano de diversas maneiras. Com esse intuito, o projeto de extensão Jornalismo e Direitos Humanos (DHJor) realiza uma Mesa de Debate Subjetividade e direitos humanos: perspectivas para tensionar o jornalismo no século XXI.

  • Encontro da SBPJor conta com apresentações de pesquisas do DHJor

    Encontro da SBPJor conta com apresentações de pesquisas do DHJor

    A 19ª edição do Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo, promovido pela Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor), de 9 a 12 de novembro de forma remota, reuniu pesquisadores de todo o país, entre eles, integrantes do DHJor.

    Camila Collato apresentou o trabalho Jornalismo Ambiental: da construção da natureza à construção de um saber ambiental na sessão livre “Jornalismo especializado”. Criselli Montipó apresenta o trabalho Práxis de repórteres: percepções sobre cidadania e direitos humanos na atuação jornalística na sessão livre “Fundamentos da práxis jornalística”, sob sua coordenação.

    Também coordenaram discussões Lynara Ojeda de Souza, na sessão “Trabalho jornalístico e rotinas produtivas 2” e Leopoldo Neto, na sessão “Jornalismo, rotinas produtivas e política”, ambos no 11º JPJOR.

    Thais Araujo e professora Maria Terezinha da Silva apresentaram o trabalho Representações sociais das pessoas com deficiência em notícias do portal G1 na sessão livre “Jornalismo, produção de sentido e violência”. Lynara Ojeda de Souza discutiu Pistas para entender a abordagem jornalística sobre direitos humanos de crianças e adolescentes em situação de rua durante a pandemia na sessão livre “Jornalismo, produção de sentido e violência”.

    A professora Daiane Bertasso apresentou o trabalho Alternativas de cobertura jornalística posicionamentos editoriais de portais feministas e com perspectiva de gênero, em conjunto com Barbara Maria Popadiuk, na sessão livre “Jornalismo, gênero e questões étnicas”.

    Discussões abordaram representações sociais e abordagem jornalística sobre direitos humanos/ Reprodução

  • Pesquisadores do DHJor participam do Intercom 2021

    Pesquisadores do DHJor participam do Intercom 2021

    A 44º edição do Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, realizado na modalidade virtual de 4 a 9 de outubro, pela Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom), promoveu discussões em torno do tema comunicação e resistência: práticas de liberdade para a cidadania. Pesquisadores do DHJor marcaram presença no Intercom 2021.

    Camila Collato tratou do tema Jornalismo Ambiental: reflexões sobre conhecimento, espaço e complexidade, no GP Comunicação, Divulgação Científica, Saúde e Meio Ambiente. Já no GP Comunicação para a Cidadania, Thais Araujo discutiu Representações sociais e cidadania das pessoas com deficiência na cobertura jornalística do portal G1, na sessão Comunicação para a cidadania, inclusão e direitos humanos

    No GP Teorias do Jornalismo, Criselli Maria Montipó apresentou Atos de resistência de repórteres na abordagem de cidadania e direitos humanos: reflexões a partir da epistemologia feminista e da teoria crítica, na sessão A resistência no jornalismo: signos, atos, práticas e teorias, sob sua coordenação. Ainda no GP, na sessão Epistemologias e paradigmas nos processos de construção da narrativa jornalística, Lynara Ojeda de Souza, Marisvaldo Silva Lima, Gabriela Cavalcanti Carneiro de Almeida apresentaram Entre visibilidade e revitimização: indícios para pensar o discurso jornalístico sobre violência sexual contra crianças.

    O GP América Latina, Mídia, Cultura e Tecnologias Digitais, contou com a apresentação do trabalho Mídia Índia: porquê decolonizar a práxis jornalística, de Jorge Kanehide Ijuim, na sessão 2 Jornalismo, Cultura e Mídias Digitais. Rafael Venuto participou do GP Estéticas, Políticas do Corpo e Gêneros, com Fotojornalismo(s) em aliança: imagens contra a precariedade e a precarização.

    IJ Jornalismo

    Coordenado por Hendryo André, o Intercom Junior – Jornalismo, também contou com a participação do DHJor nas discussões. A sessão Questões de gênero em jornalismo: desconstrução de padrões hegemônicos e desafios nas redações e no ambiente digital, teve a participação de Lynara Ojeda na coordenação.

    Já a sessão Jornalismo político: entre a midiatização de escândalos e a necropolítica, contou com a coordenação de Hendryo André e Marisvaldo Silva Lima. A sessão Jornalismo local e desertos de notícias, foi coordenada também por Jorge Kanehide Ijuim. Criselli Montipó foi um das coordenadoras da sessão O lugar da alteridade no jornalismo: inclusão, diversidade e vulnerabilidades.

    Lançamento de livros

    Jorge Ijuim e Criselli Montipó estão entre os autores da obra Comunicação, Mídias e Liberdade de Expressão no século XXI: modos censórios, resistências e debates emergentes, lançado durante o evento. Hendryo André lançou As margens e às margens do telejornalismo: como noticiários criminais fortalecem o conservadorismo das classes populares.

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