Categoria: Notícias

Notícias sobre eventos, publicações feitas pelo grupo e outros assuntos de ordem mais factual. Não incluir eventos (há uma categoria específica).

  • DHJor manifesta apoio a vítimas de Boaventura

    DHJor manifesta apoio a vítimas de Boaventura

    Nesta sexta-feira, 15 de novembro, quatro mulheres foram a julgamento em Coimbra, Portugal, em uma ação cível “para tutela da personalidade, proteção da honra e bom nome”. A ação foi impetrada por Boaventura de Sousa Santos, professor catedrático da Universidade de Coimbra e denunciado pelas mulheres por assédio sexual e moral.

    Atualização: o julgamento foi suspenso na manhã deste sábado (16).

    O DHJor – Jornalismo e Direitos Humanos manifestou publicamente apoio às vítimas de Boaventura na postagem feita por um dos coordenadores do grupo, professor Jorge Ijuim, na página Plataforma Portuguesa para os Direitos das Mulheres. Em nome do DHJor, Ijuim escreveu:

    “O Grupo de Estudos Jornalismo e Direitos Humanos (DHJor), da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) – Brasil – manifesta sua solidariedade às vítimas desta violência. O intento de “ação cível para tutela da personalidade, proteção da honra e bom nome” é uma afronta aos direitos das mulheres e uma tentativa de desqualificação das vítimas – inaceitável”.

    Entenda o caso

    Em abril de 2023, Lieselotte Viaene, Catarina Laranjeiro e Miye Nadia Tom escreveram o capítulo The Walls Spoke When No One Else Would: Autoethnographic notes on sexual-power gatekeeping within avant-garde academia (As paredes falaram quando ninguém mais ousou: Notas autoetnográficas sobre o controle do poder sexual na academia de vanguarda, em tradução livre). O capítulo integra o livro Sexual Misconduct in Academia, organizado por Erin Pritchard e Delyth Edwards (Routledge, 2023) e aborda um padrão estrutural de assédio moral e sexual no CES (Centro de Estudos Sociais) da Universidade de Coimbra.

    O texto não menciona nomes, mas as figuras de “Professor Estrela” e “Aprendiz” citadas na narrativa foram identificadas como Boaventura de Sousa Santos e Bruno Sena Martins, respectivamente. O capítulo de livro – que também foi transformado em artigo acadêmico – relembrou pichações de anos atrás (figura abaixo) nos muros da universidade.

    Pichação anônima contra Boaventura na Universidade de Coimbra / Divulgação

    Pichação anônima contra Boaventura na Universidade de Coimbra / Divulgação

    As autoras classificaram como “assédio sexual” o abuso de poder sobre mulheres, em geral jovens, que dependem da aprovação acadêmica de seus mentores para construir suas carreiras, além do “extrativismo intelectual”, com o encobrimento das instituições.

    Após quase um ano de apuração por uma Comissão Independente de Esclarecimento de Situações de Assédio, o Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra (CES/UC) reconheceu as “más práticas” na universidade.

    Boaventura foi afastado de suas funções em diversas instituições e, como resposta, decidiu processar as vítimas em uma tentativa desesperada de limpar seu nome.

    As mulheres que responderão na Justiça fazem parte do Coletivo Internacional de Mulheres, formado por pesquisadoras e ex-alunas, brasileiras e portuguesas, que sofreram abusos enquanto trabalhavam com o professor e sociólogo.

    Ética requer coerência

    A denúncia contra Boaventura – que ganhou corpo e novas vozes após a publicação – caiu como uma bomba no meio acadêmico. Particularmente, no DHJor, o pensamento do sociólogo contribuiu nos estudos de Direitos Humanos e Jornalismo. Por isso, à época, o grupo recebeu a notícia com uma mistura de indignação, frustração e perplexidade.

    Por uma questão de honestidade intelectual de um grupo que se compromete firmemente com os Direitos Humanos, os estudos de Boaventura são condenados quase a um esquecimento.

    Afinal, ética requer coerência.

  • DHJor participa de livro sobre desafios do jornalismo

    DHJor participa de livro sobre desafios do jornalismo

    A Editora da Universidade Federal de Santa Catarina (Editora da UFSC) lançou nesta quinta-feira (11) o e-book Jornalismo: reflexão e inflexão (download aqui). Organizado pelos professores Rogério Christofoletti e Terezinha Silva, a obra, que integra a coleção Horizontes do Jornalismo, conta com 13 artigos assinados por renomados nomes da pesquisa em Jornalismo no país – e também por alguns autores internacionais. Três deles são assinados por integrantes do grupo DHJor – Jornalismo e Direitos Humanos.

    A obra também foi lançada no VII Media Ethics Conference, que está sendo realizada nesta semana em Coimbra, Portugal. O pesquisador Jorge Kanehide Ijuim, um dos coordenadores do DHJor, participa do evento, que se encerra nesta sexta-feira (12).

    Entre os três artigos está um trabalho produzido coletivamente pelo grupo. O texto Direitos humanos e uma visão pluriversa para decolonizar os fazeres jornalísticos, escrito em formato de ensaio, procura traçar algumas reflexões extraídas das discussões que o DHJor tem feito nos últimos anos. O foco inicial é “problematizar os limites do pensamento hegemônico que tem guiado o fazer jornalístico e, por consequência, a emergência da decolonização”. Depois disso, busca-se “tensionar aspectos da racionalidade moderna que promovem distinções e exclusões” e, por fim, propor uma reflexão interseccional, a partir de materiais premiados ou que receberam menção honrosa no 44° Prêmio Vladmir Herzog.

    “Queríamos procurar algumas boas práticas de jornalismo para demonstrar a viabilidade de uma perspectiva decolonial nas produções”, explica a doutoranda Lynara Ojeda de Souza, uma das autoras.

    Além dela, o texto é assinado por Jorge Kanehide Ijuim, Isabel Colucci Coelho, Hendryo Anderson André, Criselli Maria Montipó, Thais Araujo de Freitas, Patrícia Hadlich Aquino e Karla Gabriela Quint.

    Demais participações

    O doutorando Rafael Venuto assina, junto com a pesquisadora Flávia Guidotti, o texto “Fotojornalismo e arte: intersecções no sensível partilhado”. Já a estudante de estágio de pós-doutorado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) Magali Moser, em parceria com Samuel Pantoja Lima, assina o artigo “Por uma metodologia da reportagem investigativa”.

    Jornalismo: reflexão e inflexão

    Como o jornalismo atravessa a vida humana, é natural esperar que ele se relacione com muitos temas. Em Jornalismo: reflexão e inflexão – sob o pretexto de refletir sobre a histórica prática de informar – reuniu-se alguns desses assuntos. Por isso, ideologia e xenofobia, civilização e arte, profissionalismo e pioneirismo habitam as páginas do livro, mas não só isso. Integram o debate o jornalismo automatizado e o que oculta os nomes, o que vive plataformizado e o que se impõe na investigação, o que se encontra com seu público e o que se guia pelos direitos humanos e se realiza na ética, apesar de tudo.

    Coleção Novos Horizontes

    Voltada a pesquisadores, estudantes, jornalistas e ao público interessado nos desafios contemporâneos da atividade jornalística, a coleção Novos Horizontes, segundo a editora, procura oferecer títulos que visam contribuir crítica e reflexivamente para a renovação de teorias e práticas.

    Serviço

    Título: Jornalismo: reflexão e inflexão
    Autoria: Rogério Christofoletti e Terezinha Silva
    Download: https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/255897

  • Lula deve lançar plano de enfrentamento ao capacitismo este mês

    Lula deve lançar plano de enfrentamento ao capacitismo este mês

    A nova edição do Plano Viver sem Limite, de promoção dos direitos humanos das pessoas com deficiência, já tem data prevista para ser lançada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Conforme informou, na última quarta-feira (1/11), a secretária nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Anna Paula Feminella, em entrevista exclusiva à jornalista e pesquisadora Thais Araujo, a solenidade está prevista para o dia 16 de novembro, no Palácio do Planalto, em Brasília (DF).

    A primeira versão do Plano foi lançada em 2011, no governo da presidenta Dilma Rousseff (PT), para reforçar a implementação das prerrogativas da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência da ONU, ratificada pelo Brasil em 2008. Agora, após discussão com a comunidade acadêmica e membros de movimentos da sociedade civil, a iniciativa traz, pela primeira vez, a perspectiva interseccional – que considera como os diversos marcadores sociais, como classe, raça, gênero entre outros, se articulam para potencializar situações de opressão a pessoas com deficiência.

    O plano, segundo Anna Paula Feminella, prevê a implementação de aproximadamente 200 ações nos próximos quatro anos, como parte do compromisso assumido pelo governo federal de combater o capacitismo. Trata-se, na avaliação da secretária, de uma luta que envolve também a mídia, a sociedade civil, pesquisadores e pesquisadoras na direção de um “salto civilizatório, uma mudança cultural” que é boa para toda a sociedade. Confira a entrevista.

    O ministro dos Direitos Humanos, Silvio Almeida, quando esteve na UFSC, em agosto, falou sobre o lançamento do Novo Viver sem Limite, mas ainda não havia data certa para o lançamento. Que ações estão previstas?

    O presidente Lula vai fazer o anúncio, em Brasília, com mais detalhes, incluindo os investimentos destinados ao plano. Mas uma inovação é a perspectiva interseccional. Eu não consigo falar em deficiência sem abordar outros marcadores que ampliam as desigualdades sociais e as opressões. A experiência da deficiência pode ser dificultada, por exemplo, para populações mais empobrecidas, por conta da falta de acesso a políticas públicas, o que até pode inviabilizar a existência dessas pessoas. Mulheres negras com deficiência que vivem nas periferias são as que menos acessam serviços públicos, e as pesquisas evidenciam que até mesmo a média salarial das que conseguem acessar o mercado de trabalho é muito menor que as demais pessoas, por exemplo. Por isso, para desenvolver e implementar políticas públicas temos que considerar as diversas desigualdades – racial, de gênero, de classe – reconhecer os diferentes territórios e a diversidade de demandas.

    Poderia dar exemplos de ações práticas que farão parte do plano?

    É uma política pública que será desenvolvida em quatro eixos: gestão inclusiva e participativaenfrentamento à violência e ao capacitismoacessibilidade e tecnologia assistiva; e promoção dos direitos econômicos, sociais, culturais e ambientais. Em um dos eixos, por exemplo, vamos atuar na formação de conselheiros de direitos das pessoas com deficiência e de novas lideranças desse segmento social para atuar na política. Além disso, vamos lançar um edital de premiação para pesquisadores com e sem deficiência que desenvolvam seus estudos sobre deficiência numa perspectiva de direitos. Há muitas narrativas sobre a deficiência em disputa e muitas delas não nos atendem. O objetivo é difundir esse conhecimento, cumprindo também um papel político-pedagógico.

    Todas essas ações foram construídas em diálogo com a sociedade?

    Para chegar a essas ações, fizemos um amplo debate com a sociedade. O plano é coordenado pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, mas conta com a colaboração de diversos órgãos do Poder Executivo. Estivemos em 12 capitais debatendo as ações, dialogamos com o Conade [Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência], fizemos três eventos híbridos para discutir, por exemplo, questões ligadas à violência contra mulheres com deficiência, a empregabilidade, e abrimos duas consultas públicas para receber contribuições.

    Por falar em consulta pública, há uma aberta neste momento sobre a Política Nacional de Cuidados, que recebe contribuições até 15 de dezembro, e tem relação direta com as pessoas com deficiência. O tema do cuidado tem sido muito discutido pelos movimentos sociais e por quem pesquisa as questões da deficiência. Como a pasta tem tratado essa questão?

    Não conseguimos dar resposta a todas as questões de uma só vez, mas esse é um tema com o qual estamos nos ocupando. O que a gente identifica é que a obrigação do cuidado recai especialmente sobre a mulher, principal cuidadora. As famílias vivem o custo do capacitismo e para aquelas que já estão em situação de empobrecimento, o contexto se agrava ainda mais, porque elas – as mães, sobretudo – deixam de trabalhar para cuidar dos filhos e filhas com deficiência que requerem cuidados essenciais, e sem acesso ao mercado de trabalho, muitas vezes ficam sem o suporte previdenciário. Elas enfrentam extrema vulnerabilidade, com sobrecarga física e mental. Já na hora do parto, é muito comum haver uma abordagem do profissional de saúde que impõe a essa mãe uma espécie de luto pelo nascimento do filho ou filha com deficiência, o que ainda é entendido com frequência como tragédia. O capacitismo também traz para essas mulheres uma profunda solidão.

    A senhora mencionou algumas vezes o capacistimo. Há pouco tempo não ouvíamos nem falávamos esse termo. Por que é importante chamar essas violações de direitos pelo nome?

    Assim como foi importante chamar de racismo o que é racismo para identificar essas situações e combatê-las, é fundamental chamar o preconceito contra as pessoas com deficiência em razão dessa condição de capacitismo. O termo começou a circular na Inglaterra e nos Estados Unidos nos anos 1980 e depois em Portugal e, posteriormente, a antropóloga Anahi Guedes de Mello propôs a tradução para o Brasil dessa forma. O que se propõe é uma mudança cultural para ressignificar a deficiência como uma condição e uma construção social em torno de indivíduos que têm impedimento e que são limitados por barreiras construídas pela sociedade. O que a gente espera é que as pessoas percebam a violação de direitos de pessoas com deficiência e as identifiquem como capacitismo de uma forma rápida e pensem: “isso é capacitismo e capacitismo não pode”.

    O capacitismo tem sido abordado com frequência em postagens do Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania nas redes sociais. Como a senhora avalia que a comunicação pode ajudar nesse processo?

    Hoje, sabemos que a sociedade brasileira se informa muito pelas redes sociais, porque usa-se uma linguagem simples, capaz de atingir um público mais amplo e despertar empatia. As pessoas com deficiência, em geral, são abordadas por meio da linguagem do déficit: alguém que não tem, que não faz, em quem falta algo. Entendemos que é preciso haver uma mudança de paradigma e a mídia tem papel fundamental nesse processo de desnaturalização das práticas de opressão contra pessoas com deficiência. É preciso reforçar, ainda, que a luta anticapacitista não é uma luta individual, mas coletiva, e que podemos aprender muito com [o exemplo da] luta antirracista.

    Na minha dissertação observei que as pessoas com deficiência são representadas pelo jornalismo majoritariamente como vítimas de violação de direitos. Por um lado, isso mostra que elas são reconhecidas como cidadãs, que devem ter direitos respeitados, embora sejam fortemente silenciadas; mas os relatos jornalísticos ainda não refletem o protagonismo que as pessoas com deficiência reivindicam e têm assumido na luta por direitos. Como entende essa questão?

    Essa é uma preocupação que compartilhamos, por isso na publicidade governamental, por exemplo, temos buscado incluir pessoas com deficiência como agentes de desenvolvimento local, de conhecimento, não apenas como beneficiárias de políticas públicas. Esta é uma dimensão importante: as políticas públicas servem para corrigir desigualdades, mas as pessoas com deficiência não ocupam apenas o lugar de beneficiárias. Elas também atuam na construção e na execução de políticas públicas. Um exemplo é a inclusão de um enfermeiro com deficiência na campanha de vacinação. Isso comunica muito rapidamente, as pessoas entendem que ali é um profissional da saúde, atuante, que também tem algum tipo de deficiência.

    Para finalizar, gostaria que comentasse o aumento de 150% nas denúncias de violação a direitos humanos de pessoas com deficiência, por meio do Disque 100, de janeiro a setembro de 2023, na comparação com o mesmo período do ano anterior. O que explica esse crescimento?

    Acredito que haja grande subnotificação. Essas violações ainda são muito banalizadas e escondidas. As pessoas com deficiência ainda vivem em espaços majoritariamente privados. A presença em espaços públicos, como a escola regular, permite um maior controle social. Considero que o aumento se deu em parte pela ampliação da divulgação de direitos e do próprio Disque 100, e pela implantação de um protocolo mais qualificado de atendimento no serviço. Os atendentes estão sendo capacitados a fazer as perguntas corretas para identificar a denúncia, registrá-las adequadamente e encaminhar aos órgãos responsáveis. É um processo delicado, que demanda qualificação, porque muitas pessoas com deficiência desistem de denunciar por causa das dificuldades que encontram. Uma vez eu levei mais de uma hora em uma delegacia para convencer o agente público que havia sofrido discriminação. Nossa palavra ainda é muito desacreditada, porque há capacitismo institucionalizado. Ações para combater esse problema também farão parte do Novo Viver sem Limite. Por isso, reforço: é preciso haver mudança cultural, precisamos dar um salto civilizatório que envolve governo, mídia, sociedade civil, pesquisadores e pesquisadoras para combater o capacitismo.

  • Violação a direitos humanos de pessoas com deficiência aumenta 150%

    Violação a direitos humanos de pessoas com deficiência aumenta 150%

    Duas décadas depois de o atendimento prioritário ser garantido a pessoas com deficiência no Brasil, pela Lei 10.048/2000, o jornalista e mestrando no Programa de Pós-Graduação em Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina (PPGJor/UFSC) Luiz Henrique Zart ainda enfrenta olhares constrangedores e precisa se justificar para exercer um direito assegurado pela legislação. Zart tem mobilidade reduzida em razão de uma paralisia cerebral e, recentemente, foi questionado pela funcionária de um mercado onde fazia compras, na cidade de Lages, serra catarinense, por estar na fila preferencial.

    “Ter que me explicar e convencer as pessoas que eu tenho uma deficiência e que é meu direito ser atendido no caixa preferencial é um exemplo simples, cotidiano, que ilustra o quanto as violações se dão não apenas por meio de barreiras físicas, mas ocorrem também pelo constrangimento simbólico, pela invalidação”, afirma. Por contar com um suporte familiar que o protege de muitas violações, ele nunca chegou a fazer uma denúncia formal.

    Essa rede de apoio atrasa as violações de me acontecerem, mas pode ser também pelo cansaço. É cansativo lutar contra a estrutura. Já basta ter que lutar pela sobrevivência; estar sempre alerta para avisar as instituições que elas precisam garantir um direito que é teu é cansativo e o cansaço, muitas vezes, impede a denúncia.

    Luiz Henrique Zart, mestrando em Jornalismo

    Mesmo se tratando de um processo exaustivo, as denúncias de violação contra os direitos humanos de pessoas com deficiência aumentaram 150% de janeiro a setembro deste ano, em comparação com o mesmo período do ano anterior. Segundo o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, foram contabilizadas ao todo 51.777 denúncias por meio da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos – o Disque 100 – e registradas 307.484 violações. Cada denúncia pode conter mais de um tipo de violação.

    As mais relatadas foram exposição de risco à saúde, maus-tratos ou abandono; tortura psíquica e insubsistência afetiva; a desassistência em relação a direitos sociais, à saúde e alimentação. Também há casos de subtração de direitos civis, políticos e de liberdade individual, como retenção de documentos, acesso à informação e exercício de expressão e religião. Os estados com os números mais elevados são São Paulo (13.250 denúncias), Rio de Janeiro (6.726) e  Minas Gerais (6.031). Já Santa Catarina aparece em 9º lugar, tendo registrado 1.719 denúncias no período.

    Conforme publicado em maio deste ano, a necessidade de políticas de educação inclusiva, garantidas na Constituição Federal, tem sido pauta de audiências públicas.

    A bacharel em Direito Thais Becker, mestranda em Direitos Humanos na Universidade de São Paulo (USP), enfatiza que dar visibilidade a essas violações é fundamental para a construção de políticas públicas, sempre em diálogo com as próprias pessoas com deficiência, a partir de um diagnóstico preciso de como e onde elas ocorrem. “Como o número de pessoas que denunciam ainda é baixo, a gente tem a falsa impressão de que acontece pouco, quando na verdade acontece muito”, diz ela, que é uma mulher com deficiência.

    “Escancarar esses dados é fundamental ainda para, no campo jurídico, responsabilizar quem ofendeu, o que pode se dar por meio de um processo educativo, entendendo o Judiciário também como um espaço de formação na perspectiva da antidiscriminação; e garantir indenização para quem foi submetido à discriminação”, acrescenta.

    O professor do Programa de Pós-graduação em Jornalismo da UFSC Jorge Kanehide Ijuim, que coordena o grupo de estudos Jornalismo e Direitos Humanos (DHJor), explica que a essência dos Direitos Humanos está na busca incessante pelo direito à dignidade humana, que, além de condições básicas, como o direito à vida, à saúde, à educação, ao trabalho com remuneração digna e à alimentação, também engloba o direito à igualdade e à diferença.

    “Devemos atentar como nos relacionamos com o Outro. Não basta reconhecer as diferenças, como não basta respeitar o diferente, temos que nos comunicar com o Outro, o diferente. É o que podemos chamar de alteridade. Sem esta, a busca pela dignidade humana se esvai, se perde em discursos vazios. É, portanto, uma questão de consciência que pode colaborar para a elevação da dignidade humana”.

    Jorge Kanehide Ijuim, professor do PPGJor/UFSC e um dos coordenadores do DHJor

    Ijuim ressaltou que a temática tem sido estudada – por um olhar interseccional e multicultural – pelo grupo que coordena. O objetivo é “justamente poder compartilhar nossas reflexões – na academia, junto a outros jornalistas, na comunidade –, com a expectativa de que nossos esforços contribuam para a elevação de consciência num sentido mais coletivo”.

    Disque 100

    Violações de direitos de qualquer pessoa em situação de vulnerabilidade devem ser denunciadas ao Disque 100, que as analisa e as encaminha aos órgãos de proteção e responsabilização. O serviço pode ser acionado por meio de ligação gratuita – discando 100 em qualquer aparelho telefônico; pelo e-mail ouvidoria@mdh.gov.br ou pelo site da Ouvidoria e seus canais de WhatsApp e Telegram. O atendimento pode ser feito na Língua Brasileira de Sinais (Libras)

  • DHJor realiza Ciclo de Formação em Direitos Humanos

    DHJor realiza Ciclo de Formação em Direitos Humanos

    Com o objetivo de  sistematizar e compartilhar com estudantes as discussões teóricas e éticas desenvolvidas coletivamente pelos integrantes do DHJor, o grupo promove nos meses de outubro e novembro de 2023 o 1º Ciclo de Formação Jornalismo e Direitos Humanos. Os encontros, que começaram nesta segunda-feira (23), reúnem alunos e alunas de graduação e pós-graduação em Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e são realizados no Centro de Comunicação e Expressão (CCE), em Florianópolis. 

    As aulas são ministradas pela professora de Jornalismo da UFSC e doutora em Educação, Isabel Colucci Coelho; pelo professor do PPGJor e um dos coordenadores do DHJor, Jorge Ijuim; e por integrantes do grupo de estudos e pesquisadoras/es: Lynara Ojeda, Tatiane Queiroz, Thais Araujo, Karla Quint, Letícia Bueno e Patrícia Hadlich. O curso também conta com o apoio dos estudantes de Jornalismo Amanda Kovalczykovski e Warley Alvarenga.

    De acordo com a professora Isabel Colucci, a produção de matérias humanizadas e respeitosas depende de vários fatores, mas o grupo espera que a atividade amplie o repertório de reflexão sobre a relação entre Jornalismo e direitos humanos.

    “O DHJor vem, desde 2020, realizando reuniões, estudos de textos e entrevistas com profissionais da área sobre a temática e há um ano discute criar um curso para socializar essas discussões, que são construídas coletivamente. Por isso, a gente escolheu fazer esta primeira experiência para estabelecer um diálogo principalmente com a graduação e, quem sabe, conceber uma futura disciplina de Jornalismo e Direitos Humanos para o curso de Jornalismo”.

    Isabel Colucci, professora e integrante do DHJor

    Isabel Colucci acrescentou que a proposta é um desdobramento do projeto de pesquisa Educar Jornalistas em Direitos Humanos: desafios e possibilidades, também coordenado por ela. 

    O programa do curso inclui a trajetória histórica de construção dos direitos humanos; a perspectiva decolonial e emancipadora dos DH; temáticas transversais, como estudos de gênero, relações étnico-raciais, infância, pessoas com deficiência; e a cobertura jornalística de questões relacionadas aos direitos humanos. Ao término, os/as participantes receberão certificado de conclusão.

    Lívia Goulart, aluna da primeira fase do Jornalismo/UFSC, participou do encontro inaugural e acredita que o curso vai agregar conhecimento à trajetória que pretende construir na profissão. “A aula foi importante para eu ver que o ciclo será muito rico em conhecimento e me fez refletir que, além das chamadas pautas de direitos humanos, qualquer outra deve considerar noções de direitos humanos no processo de criação”, conta.

    Também da primeira fase, Maitê Silveira destacou as trocas teóricas e o caráter afetuoso do encontro. “As dinâmicas propostas e os diálogos estabelecidos foram muito interessantes. Os alunos e as alunas puderam contribuir muito com as discussões conduzidas pelo grupo e a teoria ficou tangível para todo mundo. Ao final, cada um e cada uma de nós ainda ganhou um abraço do professor Jorge Ijuim. Foi muito fofo”, afirma.

    Confira algumas imagens do primeiro encontro.

  • “A criança é oportunidade para superar o capacitismo”, diz fundador do Quilombo Pcd

    “A criança é oportunidade para superar o capacitismo”, diz fundador do Quilombo Pcd

    Na semana em que se celebra o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência (21/09), oficializado no Brasil em 2005, pela Lei nº 11.133, várias atividades pelo país marcam a importância das mobilizações pela inclusão social e da luta anticapacitista. Capacitismo é o termo que define a discriminação direcionada a pessoas com deficiência em razão dessa condição; foi adotado por aqui a partir da tradução da palavra inglesa ableism, conforme proposto pela antropóloga Anahí Guedes de Mello. O tema é um dos que têm sido estudados no âmbito do Grupo Jornalismo e Direitos Humanos.

    Para tornar mais efetiva a construção de uma sociedade inclusiva, as pesquisadoras, ativistas e mulheres com deficiência Mariana Rosa e Karla Garcia Luiz lançaram o livro “Como educar crianças anticapacitistas”. O material, que conta com ilustrações de Paloma Santos e orientação da professora Geisa Böck, pode ser baixado gratuitamente aqui, disponibilizado pelo Laboratório de Educação Inclusiva da Universidade do Estado de Santa Catarina (Ledi Udesc). 

    De acordo com as autoras, a obra foi elaborada a partir da premissa de Paulo Freire, patrono da Educação Brasileira, segundo a qual “ninguém educa ninguém, ninguém se educa sozinho. Os homens se educam em comunhão, mediados pela realidade”. O objetivo, portanto, é “recrutar saberes que (ainda) não possuímos” e oferecer suporte para dialogar com famílias e educadores comprometidos com uma educação libertadora e emancipatória. “Longe de ser um manual ou guia, o que a gente compartilha nesse material são reflexões que politizam a experiência da deficiência e implicam a coletividade”, diz Mariana Rosa.

    As autoras explicam que a pergunta que intitula o livro (Como educar crianças anticapacitistas) é recorrente, o que demonstra o desejo de familiares, educadores e professores de promover o diálogo com crianças e apoiá-las na construção de um pensamento crítico que não reproduza preconceito ou discriminação em relação às pessoas com deficiência. “A pergunta, por si só, dá uma pista importante: se questionamos sobre possíveis caminhos para educar crianças anticapacitistas é porque, provavelmente, não sabemos como fazê-lo”.

    Elas lembram ainda que não faz muito tempo pessoas com deficiência eram sistematicamente institucionalizadas, quimicamente contidas, segregadas e excluídas. Algumas dessas práticas persistem nos dias de hoje. “Ficamos, assim, destituídos da possibilidade de imaginar a humanidade em composição com outros corpos possíveis e, com eles, outros mundos possíveis. Por isso, a pergunta “como educar crianças anticapacitistas?” é um convite também a nós mesmos”, acrescentam.

    Para o filósofo e ativista pelos direitos das pessoas com deficiência Marcelo Zig,  fundador do coletivo Quilombo PcD, pai e avô, “a criança é a melhor oportunidade para superar o capacitismo na sociedade”. Ele explica: “Essa é a fase em que a gente está menos poluído pelas relações de exclusão e preconceito que ainda definem a ocupação dos espaços sociais. Quando a criança tem a oportunidade de se relacionar com a diversidade humana, ela aprende a naturalizar a presença dos corpos com deficiência”, diz Zig. 

    Ele defende que o papel dos adultos, nesse contexto, é oportunizar a ocupação dos espaços por crianças com deficiência e favorecer o desenvolvimento de relações sociais entre aquelas que têm essa condição e as que não têm “o quanto antes”. “Desse modo ganham crianças e adultos com ou sem deficiência. Ganha toda a sociedade”, acrescenta.

    Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), estima-se que a população com deficiência no Brasil totalize 18,6 milhões (considerando as pessoas com 2 anos ou mais) – 8,9% da população com essa faixa etária. Os dados foram divulgados em julho pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Pela primeira vez a PNAD Contínua trouxe indicadores específicos relativos às pessoas com deficiência. 

    Livreto gratuito traz reflexões sobre educação libertadora e emancipatória. Crédito: divulgação/ilustração Paloma Santos
  • Pesquisador do DHJor participa do “SBPJor em Redes”

    Pesquisador do DHJor participa do “SBPJor em Redes”

    O jornalista, doutor em Ciências da Comunicação/Jornalismo pela USP, professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e um dos coordenadores do DHJor, Jorge Kanehide Ijuim, participa na sexta-feira, 15, do SBPJor em Redes 2023 com o tema Narrativas midiatizadas e a emergência de vozes dissonantes. O evento online é promovido pela Rede de Pesquisa Narrativas Midiáticas Contemporâneas (Renami), uma das seis redes de pesquisa da Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor). 

    Ijuim destaca que “os povos originários, as crianças e os adolescentes, as pessoas em situação de rua têm sido silenciadas e/ou invisibilizadas nas narrativas jornalísticas. Em nossas pesquisas do Grupo de Estudos Jornalismo e Direitos Humanos nos preocupamos em entender os porquês, assim como buscamos alternativas para que essas pessoas tenham seus direitos à dignidade humana”.

    Também participam da live a jornalista e doutora em Ciências da Comunicação Paola Prandini e o jornalista e professor colaborador do Programa de Pós-graduação em Ciência da Comunicação da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) Jairo Ferreira.

    O debate conta com a mediação do membro da direção colegiada da Renami, Demétrio de Azeredo Soster, que é jornalista, doutor e pós-doutor pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos).

    Serviço

    O que? SBPJor em Redes 2023
    Quando? 15 de setembro, 14 horas
    Como assistir? no canal do Youtube da SBPJor

    * O SBPJor em Redes foi criado durante a pandemia com o objetivo de manter os pesquisadores em contato durante o período de isolamento social. Devido ao grande engajamento e qualidade nas discussões foi mantido para estimular o trabalho coletivo em diferentes instituições brasileiras e internacionais. 

  • Entidades assinam carta pela democracia em encerramento do Intercom

    Entidades assinam carta pela democracia em encerramento do Intercom

    Durante o encerramento do 46° Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação (Intercom), que contou com a participação de integrantes do DHJor, na última sexta-feira (8), o recém-empossado presidente da Intercom, Juliano Mendonça Domingues da Silva, informou sobre a instituição do Dia Nacional de Luta pela Democracia, que será celebrado em 31 de outubro.

    A iniciativa das entidades que compõem a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) demarca, anualmente, manifestações por todo o país em alusão a esta luta. Por isso, representantes da Intercom, Compós e Socicom redigiram o documento A Comunicação na Luta pela Democracia Brasileira – Carta de Belo Horizonte (confira a íntegra no final do texto), que foi lido ao final do congresso deste ano.

    Escolha da data

    Em 31 de outubro de 1975, o arcebispo emérito de São Paulo, cardeal Dom Paulo Evaristo Arns, realizou um culto ecumênico em memória a Vladimir Herzog. O jornalista havia sido torturado e assassinado uma semana antes em instalações do DOI-CODI, no quartel-general do II Exército, na cidade de São Paulo. Segundo o Instituto Vladmir Herzog, a manifestação na Praça da Sé, região central da cidade de São Paulo, reuniu 8 mil pessoas e se transformou no maior ato público de repúdio à ditadura militar, desde 1964.

    Carta de Belo Horizonte

    No documento, destaca-se o fato de o Brasil estar vivendo, sobretudo ao longo da última década, “uma radicalização baseada no ódio, que nos distancia uns dos outros de tal modo que já não se consegue nem mesmo ouvir, que dirá dispor-se a compreender”. Para lutar contra esse movimento, as entidades científicas criaram o Dia Nacional de Luta pela Democracia.

    Os signatários sugerem que o texto seja divulgado pela comunidade científica. A versão integral do documento pode ser lida abaixo.

    A Comunicação na Luta pela Democracia BrasileiraCarta de Belo Horizonte

    Esta carta se soma às iniciativas nacionais coordenadas pela SBPC, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, na chamada para a luta pela ciência e pela democracia.

    Todos nós, entidades que subscrevem esta Carta, fazemos parte de uma grande área de conhecimento denominada amplamente como Ciências da Comunicação. Comunicar é, essencialmente, partilhar mensagens. É falar, mas é, sobretudo ouvir. É reconhecer as diferenças, mas apostar naquelas coincidências que nos fortalecem.

    A matéria-prima da Comunicação é a informação, algo sui generis: tanto mais compartilhada, maior e mais forte ela fica, a refletir relações de poder. Por isso, grupos e governos de viés autoritário e ditatoriais a temem e, para controlá-la, institucionalizam, formal e informalmente, diferentes sistemas de vigilância, como no caso da censura. 

    A Comunicação é muito relevante para a Democracia, porque é essência da mesma o respeito às diferenças, a valorização do diálogo e a busca de entendimento com base em pontos de acordo mínimo. O resultado desse processo, do ponto de vista ideal, pressupõe fluxos comunicacionais, pois passa por decisão coletiva e preocupações, cujos interesses partem e se direcionam à sociedade para enfrentar suas fragilidades. Inserem-se nesse contexto a incontornável necessidade da II Conferência Nacional de Comunicação, convocada pelo Governo Federal, e do aprofundamento do debate sobre a regulação democrática das comunicações diante das externalidades evidenciadas.

    O Brasil tem vivido, sobretudo ao longo da última década, um desafio até então impensável: uma radicalização baseada no ódio, que nos distancia uns dos outros de tal modo que já não se consegue nem mesmo ouvir, que dirá dispor-se a compreender. Isso compromete e coloca em risco o tecido social como um todo. Da mesma forma, impacta o social em guetos diversos, bem como gera incomunicação.


    Todos nós, que subscrevemos esta Carta, publicamente conclamamos a Comunicação em nosso meio. Não uma comunicação qualquer, mas uma comunicação social, aquela que permite uma sociedade melhor, conforme aprendemos com diferentes perspectivas teóricas. Seria incongruente se nós mesmos não acreditássemos nas potencialidades do processo comunicativo.

    E é por esse motivo, por entendermos que precisamos nos expressar junto à sociedade brasileira, dizer de nosso sentimento e de nosso compromisso com a Comunicação numa perspectiva democrática e socialmente referenciada, que subscrevemos esta Carta. Calar-nos seria conivência ou omissão. E não podemos ser omissos nem, muito menos, coniventes.

    O Brasil e os brasileiros precisamos da Comunicação efetivamente Social, nos seus mais variados aspectos e âmbitos, para garantir um país independente e soberano, com uma Democracia sólida e perene, sem que se permita nem tolere, nunca mais, retrocesso  na vida democrática.


       
    Belo Horizonte, 07 de setembro de 2023
    Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação
    Compós – Associação Nacional dos Programas de Pós-graduação em Comunicação
    Socicom – Federação Brasileira de Associações Científicas e Acadêmicas de Comunicação

  • Grupo DHJor participa de congresso da Intercom

    Grupo DHJor participa de congresso da Intercom

    Integrantes do grupo de estudos e extensão DHJor – Jornalismo e Direitos Humanos participam do 46° Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação (Intercom). Ao todo, serão cinco apresentações, três coordenações de mesas e o lançamento de dois e-books.

    Neste ano, o congresso da Intercom traz uma novidade. Além do encontro presencial, que ocorre entre os dias 5 e 8 de setembro, em Belo Horizonte, na Puc-Minas, pesquisadores e pesquisadoras agora também podem apresentar trabalhos em uma etapa remota, que neste ano acontece de 29 a 31 de agosto.

    Na etapa remota, o trabalho de autoria dos doutorandos do Programa de Pós-Graduação em Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina (PPGJor/UFSC) Marisvaldo Silva Lima e Lynara Ojeda de Souza, apresentado nesta terça-feira (29), investiga a cobertura jornalística realizada pela agência especializada em notícias Alma Preta Jornalismo sobre o desaparecimento de três meninos de Belford Roxo, em dezembro de 2020. Entre os resultados, o trabalho aponta que a cobertura jornalística da agência “aborda questões raciais e sociais, construindo visibilidade e estimulando reflexões críticas sobre racismo estrutural e desigualdades. Isso ressalta o papel importante do jornalismo na discussão e combate ao racismo”.

    Já a egressa Magali Moser, em conjunto com a pesquisadora Melina de la Barrera Ayres, apresenta um artigo que busca relata as experiências oriundas da disciplina de Jornalismo Comunitário, ofertada do curso de Jornalismo da UFSC. Como principal resultado, o trabalho, intitulado Comunicação Comunitária, práticas cidadãs e formação de jornalistas em Florianópolis, “evidencia que os aprendizados alcançados podem contribuir para a implementação de projetos e iniciativas semelhantes em outros contextos”.

    Etapa presencial

    Na etapa presencial serão três trabalhos (confira a programação abaixo). O pesquisador e coordenador do DHJor, Jorge Kanehide Ijuim, apresenta com as mestrandas Karla Gabriela Quint, Leticia Ferreira Bueno e Patrícia Hadlich Aquino o artigo Jornalismo e Direitos Humanos: Reflexões sobre/para a formação profissional. Ao partir do princípio de que há proximidades entre as percepções de jornalismo, cidadania e direitos humanos, o grupo busca observar se preceitos de dignidade humana, garantidos por documentos como a Declaração Universal dos Direitos Humanos e a Constituição Federal de 1988, se refletem no comportamento de profissionais e da imprensa. “Em nossas pesquisas”, observam, “os resultados parciais suscitam preocupação por conta de coberturas rasas, equivocadas, senão por vezes distorcidas”.

    Criselli Maria Montipó e Hendryo André apresentam com o professor da UFPR e pós-doutorando pelo PPGJor José Carlos Fernandes, o artigo A extensão que se faz história de vida: impressões sobre um programa chamado Ncep. A partir de um questionário aplicado a 35 ex-participantes do projeto de extensão da Universidade Federal do Paraná (UFPR) que acaba de completar 20 anos de existência, o trio observa que, apesar de algumas questões conceituais acerca das definições e escopo da extensão, há marcas relevantes da atividade de extensão na trajetória pessoal e profissional.

    Por fim, Hendryo André apresenta, no texto Mapeamento de estudos sobre desinformação publicados em revistas indexadas pelo Portal de Periódicos da Capes (2005-2022), os resultados com uma análise de 54 artigos publicados sobre o tema desinformação.

    Publicom

    O pesquisador, atualmente bolsista de pós-doutorado (PNPD/Capes) do Programa de Pós-Graduação em Jornalismo da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), participou da organização de dois e-books relacionados ao tema central do congresso do ano passado, realizado em João Pessoa (PB). O primeiro Ciências da Comunicação contra a desinformação (2023, Editora Intercom, download disponível), organizado em conjunto com Nair Prata (Ufop) e Silvio Simão de Matos (Univille), reúne textos oriundos do Ciclo de Estudos Interdisciplinares da Comunicação. “O interessante é que no livro há pontos de vista convergentes, complementares e antagônicos sobre o fenômeno da desinformação observados por importantes pesquisadores e pesquisadoras que se debruçam sobre o tema”, explica Hendryo.

    Já o segundo e-book, Ciências da Comunicação contra a desinformação: olhares de jovens pesquisadores (2023, Editora Intercom, download disponível), organizado em conjunto com Nair Prata (Ufop), Silvio Simão de Matos (Univille) e Flávio Santana (Uespi) reúne as principais pesquisas apresentadas em 2022 por graduandos que participaram dos oito grupos que formam o Intercom Júnior, jornada voltada exclusivamente a estudantes de graduação.

    Programação – etapa remota

    A cobertura jornalística do desaparecimento dos meninos de Belford Roxo: violência, vulnerabilidade e a construção de visibilidade midiática
    Marisvaldo Silva Lima e Lynara Ojeda de Souza
    GP Teorias do Jornalismo | Sessão 01 – 29/08, das 11h às 13h

    Comunicação Comunitária, práticas cidadãs e formação de jornalistas em Florianópolis
    Magali Moser; Melina de la Barrera Ayres
    GP Comunicação para a Cidadania | Sessão 03 – 29/08, das 14h às 18h

    Programação – etapa presencial

    Jornalismo e Direitos Humanos: Reflexões sobre/para a formação profissional
    Jorge Kanehide Ijuim, Karla Gabriela Quint, Leticia Ferreira Bueno e Patrícia Hadlich Aquino
    GP Teorias do Jornalismo  | Sessão 06 – 07/09, das 16h às 17h30

    A extensão que se faz história de vida: impressões sobre um programa chamado Ncep
    Criselli Maria Montipó, José Carlos Fernandes e Hendryo André
    GP Comunicação e Educação  | Sessão 07 – 07/09, das 14h às 15h45

    Mapeamento de estudos sobre desinformação publicados em revistas indexadas pelo Portal de Periódicos da Capes (2005-2022)
    Hendryo André
    GP Teorias do Jornalismo  | Sessão 03 – 07/09, das 8h30 às 10h30

    DHJor

    É um projeto de extensão com o propósito de refletir e compreender as relações entre jornalismo e direitos humanos. Constituído por estudantes, egressos e docentes do Programa de Pós-Graduação em Jornalismo (PPGJor) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), o DHJor trata de fenômenos sociais complexos que são caros ao jornalismo em um contexto de desigualdades acentuadas e em que a cidadania e os direitos humanos estão em disputa.

  • Fabiana Moraes publica artigo em coautoria com pesquisador do DHJor em revista internacional

    Fabiana Moraes publica artigo em coautoria com pesquisador do DHJor em revista internacional

    A jornalista e professora da UFPE Fabiana Moraes e o professor da UFSC e doutor em Ciências da Comunicação (USP) Jorge Ijuim, integrante do DHJor, publicaram artigo na Revista Latinoamericana de Ciencias de la Comunicación em que problematizam o conceito de humanidade dominante no jornalismo. Conforme os autores, o humano é sempre o homem, branco e dono do maior capital. Para superar modos de dizer que desumanizam, os pesquisadores destacam a necessidade de decolonizar o jornalista, a partir de um rompimento ou no mínimo um questionamento da herança eurocêntrica. Para ler a publicação, clique aqui.

Skip to content