Etiqueta: Jorge Ijuim

  • DHJor manifesta apoio a vítimas de Boaventura

    DHJor manifesta apoio a vítimas de Boaventura

    Nesta sexta-feira, 15 de novembro, quatro mulheres foram a julgamento em Coimbra, Portugal, em uma ação cível “para tutela da personalidade, proteção da honra e bom nome”. A ação foi impetrada por Boaventura de Sousa Santos, professor catedrático da Universidade de Coimbra e denunciado pelas mulheres por assédio sexual e moral.

    Atualização: o julgamento foi suspenso na manhã deste sábado (16).

    O DHJor – Jornalismo e Direitos Humanos manifestou publicamente apoio às vítimas de Boaventura na postagem feita por um dos coordenadores do grupo, professor Jorge Ijuim, na página Plataforma Portuguesa para os Direitos das Mulheres. Em nome do DHJor, Ijuim escreveu:

    “O Grupo de Estudos Jornalismo e Direitos Humanos (DHJor), da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) – Brasil – manifesta sua solidariedade às vítimas desta violência. O intento de “ação cível para tutela da personalidade, proteção da honra e bom nome” é uma afronta aos direitos das mulheres e uma tentativa de desqualificação das vítimas – inaceitável”.

    Entenda o caso

    Em abril de 2023, Lieselotte Viaene, Catarina Laranjeiro e Miye Nadia Tom escreveram o capítulo The Walls Spoke When No One Else Would: Autoethnographic notes on sexual-power gatekeeping within avant-garde academia (As paredes falaram quando ninguém mais ousou: Notas autoetnográficas sobre o controle do poder sexual na academia de vanguarda, em tradução livre). O capítulo integra o livro Sexual Misconduct in Academia, organizado por Erin Pritchard e Delyth Edwards (Routledge, 2023) e aborda um padrão estrutural de assédio moral e sexual no CES (Centro de Estudos Sociais) da Universidade de Coimbra.

    O texto não menciona nomes, mas as figuras de “Professor Estrela” e “Aprendiz” citadas na narrativa foram identificadas como Boaventura de Sousa Santos e Bruno Sena Martins, respectivamente. O capítulo de livro – que também foi transformado em artigo acadêmico – relembrou pichações de anos atrás (figura abaixo) nos muros da universidade.

    Pichação anônima contra Boaventura na Universidade de Coimbra / Divulgação

    Pichação anônima contra Boaventura na Universidade de Coimbra / Divulgação

    As autoras classificaram como “assédio sexual” o abuso de poder sobre mulheres, em geral jovens, que dependem da aprovação acadêmica de seus mentores para construir suas carreiras, além do “extrativismo intelectual”, com o encobrimento das instituições.

    Após quase um ano de apuração por uma Comissão Independente de Esclarecimento de Situações de Assédio, o Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra (CES/UC) reconheceu as “más práticas” na universidade.

    Boaventura foi afastado de suas funções em diversas instituições e, como resposta, decidiu processar as vítimas em uma tentativa desesperada de limpar seu nome.

    As mulheres que responderão na Justiça fazem parte do Coletivo Internacional de Mulheres, formado por pesquisadoras e ex-alunas, brasileiras e portuguesas, que sofreram abusos enquanto trabalhavam com o professor e sociólogo.

    Ética requer coerência

    A denúncia contra Boaventura – que ganhou corpo e novas vozes após a publicação – caiu como uma bomba no meio acadêmico. Particularmente, no DHJor, o pensamento do sociólogo contribuiu nos estudos de Direitos Humanos e Jornalismo. Por isso, à época, o grupo recebeu a notícia com uma mistura de indignação, frustração e perplexidade.

    Por uma questão de honestidade intelectual de um grupo que se compromete firmemente com os Direitos Humanos, os estudos de Boaventura são condenados quase a um esquecimento.

    Afinal, ética requer coerência.

  • DHJor participa de livro sobre desafios do jornalismo

    DHJor participa de livro sobre desafios do jornalismo

    A Editora da Universidade Federal de Santa Catarina (Editora da UFSC) lançou nesta quinta-feira (11) o e-book Jornalismo: reflexão e inflexão (download aqui). Organizado pelos professores Rogério Christofoletti e Terezinha Silva, a obra, que integra a coleção Horizontes do Jornalismo, conta com 13 artigos assinados por renomados nomes da pesquisa em Jornalismo no país – e também por alguns autores internacionais. Três deles são assinados por integrantes do grupo DHJor – Jornalismo e Direitos Humanos.

    A obra também foi lançada no VII Media Ethics Conference, que está sendo realizada nesta semana em Coimbra, Portugal. O pesquisador Jorge Kanehide Ijuim, um dos coordenadores do DHJor, participa do evento, que se encerra nesta sexta-feira (12).

    Entre os três artigos está um trabalho produzido coletivamente pelo grupo. O texto Direitos humanos e uma visão pluriversa para decolonizar os fazeres jornalísticos, escrito em formato de ensaio, procura traçar algumas reflexões extraídas das discussões que o DHJor tem feito nos últimos anos. O foco inicial é “problematizar os limites do pensamento hegemônico que tem guiado o fazer jornalístico e, por consequência, a emergência da decolonização”. Depois disso, busca-se “tensionar aspectos da racionalidade moderna que promovem distinções e exclusões” e, por fim, propor uma reflexão interseccional, a partir de materiais premiados ou que receberam menção honrosa no 44° Prêmio Vladmir Herzog.

    “Queríamos procurar algumas boas práticas de jornalismo para demonstrar a viabilidade de uma perspectiva decolonial nas produções”, explica a doutoranda Lynara Ojeda de Souza, uma das autoras.

    Além dela, o texto é assinado por Jorge Kanehide Ijuim, Isabel Colucci Coelho, Hendryo Anderson André, Criselli Maria Montipó, Thais Araujo de Freitas, Patrícia Hadlich Aquino e Karla Gabriela Quint.

    Demais participações

    O doutorando Rafael Venuto assina, junto com a pesquisadora Flávia Guidotti, o texto “Fotojornalismo e arte: intersecções no sensível partilhado”. Já a estudante de estágio de pós-doutorado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) Magali Moser, em parceria com Samuel Pantoja Lima, assina o artigo “Por uma metodologia da reportagem investigativa”.

    Jornalismo: reflexão e inflexão

    Como o jornalismo atravessa a vida humana, é natural esperar que ele se relacione com muitos temas. Em Jornalismo: reflexão e inflexão – sob o pretexto de refletir sobre a histórica prática de informar – reuniu-se alguns desses assuntos. Por isso, ideologia e xenofobia, civilização e arte, profissionalismo e pioneirismo habitam as páginas do livro, mas não só isso. Integram o debate o jornalismo automatizado e o que oculta os nomes, o que vive plataformizado e o que se impõe na investigação, o que se encontra com seu público e o que se guia pelos direitos humanos e se realiza na ética, apesar de tudo.

    Coleção Novos Horizontes

    Voltada a pesquisadores, estudantes, jornalistas e ao público interessado nos desafios contemporâneos da atividade jornalística, a coleção Novos Horizontes, segundo a editora, procura oferecer títulos que visam contribuir crítica e reflexivamente para a renovação de teorias e práticas.

    Serviço

    Título: Jornalismo: reflexão e inflexão
    Autoria: Rogério Christofoletti e Terezinha Silva
    Download: https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/255897

  • DHJor realiza Ciclo de Formação em Direitos Humanos

    DHJor realiza Ciclo de Formação em Direitos Humanos

    Com o objetivo de  sistematizar e compartilhar com estudantes as discussões teóricas e éticas desenvolvidas coletivamente pelos integrantes do DHJor, o grupo promove nos meses de outubro e novembro de 2023 o 1º Ciclo de Formação Jornalismo e Direitos Humanos. Os encontros, que começaram nesta segunda-feira (23), reúnem alunos e alunas de graduação e pós-graduação em Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e são realizados no Centro de Comunicação e Expressão (CCE), em Florianópolis. 

    As aulas são ministradas pela professora de Jornalismo da UFSC e doutora em Educação, Isabel Colucci Coelho; pelo professor do PPGJor e um dos coordenadores do DHJor, Jorge Ijuim; e por integrantes do grupo de estudos e pesquisadoras/es: Lynara Ojeda, Tatiane Queiroz, Thais Araujo, Karla Quint, Letícia Bueno e Patrícia Hadlich. O curso também conta com o apoio dos estudantes de Jornalismo Amanda Kovalczykovski e Warley Alvarenga.

    De acordo com a professora Isabel Colucci, a produção de matérias humanizadas e respeitosas depende de vários fatores, mas o grupo espera que a atividade amplie o repertório de reflexão sobre a relação entre Jornalismo e direitos humanos.

    “O DHJor vem, desde 2020, realizando reuniões, estudos de textos e entrevistas com profissionais da área sobre a temática e há um ano discute criar um curso para socializar essas discussões, que são construídas coletivamente. Por isso, a gente escolheu fazer esta primeira experiência para estabelecer um diálogo principalmente com a graduação e, quem sabe, conceber uma futura disciplina de Jornalismo e Direitos Humanos para o curso de Jornalismo”.

    Isabel Colucci, professora e integrante do DHJor

    Isabel Colucci acrescentou que a proposta é um desdobramento do projeto de pesquisa Educar Jornalistas em Direitos Humanos: desafios e possibilidades, também coordenado por ela. 

    O programa do curso inclui a trajetória histórica de construção dos direitos humanos; a perspectiva decolonial e emancipadora dos DH; temáticas transversais, como estudos de gênero, relações étnico-raciais, infância, pessoas com deficiência; e a cobertura jornalística de questões relacionadas aos direitos humanos. Ao término, os/as participantes receberão certificado de conclusão.

    Lívia Goulart, aluna da primeira fase do Jornalismo/UFSC, participou do encontro inaugural e acredita que o curso vai agregar conhecimento à trajetória que pretende construir na profissão. “A aula foi importante para eu ver que o ciclo será muito rico em conhecimento e me fez refletir que, além das chamadas pautas de direitos humanos, qualquer outra deve considerar noções de direitos humanos no processo de criação”, conta.

    Também da primeira fase, Maitê Silveira destacou as trocas teóricas e o caráter afetuoso do encontro. “As dinâmicas propostas e os diálogos estabelecidos foram muito interessantes. Os alunos e as alunas puderam contribuir muito com as discussões conduzidas pelo grupo e a teoria ficou tangível para todo mundo. Ao final, cada um e cada uma de nós ainda ganhou um abraço do professor Jorge Ijuim. Foi muito fofo”, afirma.

    Confira algumas imagens do primeiro encontro.

  • Pesquisador do DHJor participa do “SBPJor em Redes”

    Pesquisador do DHJor participa do “SBPJor em Redes”

    O jornalista, doutor em Ciências da Comunicação/Jornalismo pela USP, professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e um dos coordenadores do DHJor, Jorge Kanehide Ijuim, participa na sexta-feira, 15, do SBPJor em Redes 2023 com o tema Narrativas midiatizadas e a emergência de vozes dissonantes. O evento online é promovido pela Rede de Pesquisa Narrativas Midiáticas Contemporâneas (Renami), uma das seis redes de pesquisa da Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor). 

    Ijuim destaca que “os povos originários, as crianças e os adolescentes, as pessoas em situação de rua têm sido silenciadas e/ou invisibilizadas nas narrativas jornalísticas. Em nossas pesquisas do Grupo de Estudos Jornalismo e Direitos Humanos nos preocupamos em entender os porquês, assim como buscamos alternativas para que essas pessoas tenham seus direitos à dignidade humana”.

    Também participam da live a jornalista e doutora em Ciências da Comunicação Paola Prandini e o jornalista e professor colaborador do Programa de Pós-graduação em Ciência da Comunicação da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) Jairo Ferreira.

    O debate conta com a mediação do membro da direção colegiada da Renami, Demétrio de Azeredo Soster, que é jornalista, doutor e pós-doutor pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos).

    Serviço

    O que? SBPJor em Redes 2023
    Quando? 15 de setembro, 14 horas
    Como assistir? no canal do Youtube da SBPJor

    * O SBPJor em Redes foi criado durante a pandemia com o objetivo de manter os pesquisadores em contato durante o período de isolamento social. Devido ao grande engajamento e qualidade nas discussões foi mantido para estimular o trabalho coletivo em diferentes instituições brasileiras e internacionais. 

  • Fabiana Moraes publica artigo em coautoria com pesquisador do DHJor em revista internacional

    Fabiana Moraes publica artigo em coautoria com pesquisador do DHJor em revista internacional

    A jornalista e professora da UFPE Fabiana Moraes e o professor da UFSC e doutor em Ciências da Comunicação (USP) Jorge Ijuim, integrante do DHJor, publicaram artigo na Revista Latinoamericana de Ciencias de la Comunicación em que problematizam o conceito de humanidade dominante no jornalismo. Conforme os autores, o humano é sempre o homem, branco e dono do maior capital. Para superar modos de dizer que desumanizam, os pesquisadores destacam a necessidade de decolonizar o jornalista, a partir de um rompimento ou no mínimo um questionamento da herança eurocêntrica. Para ler a publicação, clique aqui.

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